É um grande absurdo. A confiscação do direito à maternidade e à guarda do filho geralmente vai ser apenas o ápice de uma absurda sequência de vitimizações pelas quais essas mulheres passam. Quando isso acontece, em geral elas já foram abandonadas desde muito pelo Estado, que as trata como entulho e só se preocupa com elas quando é preciso fazer a “remoção” de usuários de crack do espaço urbano, geralmente por motivos de especulação imobiliária. Muitas vezes, a própria gravidez já evidencia uma situação de múltipla vitimização: no menor dos casos, porque não tiveram acesso à educação sexual, saúde sexual e a métodos contraceptivos; mas também por não ter podido escolher levar a gravidez à diante ou não, ou ainda por ter sido vítimas negligenciadas de estupro ou prostituição involuntária.
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